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15 de set. de 2013

Como Estrelas na Terra (Taare Zameen Par)

3 comentários:
Título no Brasil: Somos Todos Diferentes / Como Estrelas Na Terra
Título Original: Taare Zameen Par
País de Origem: Índia
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 165 minutos
Ano de Lançamento: 2007
Direção: Aamir Khan / Amole Gupte

Elenco: Darsheel Safary (Ishaan Awasthi), Aamir Khan  (Professor Ram Shankar), Tisca Chopra (Maya Awasthi, mãe de Ishaan), Vipin Sharma (Nandkishore Awasthi, pai de Ishaan), Sachet Engineer (Yohaan Awasthi, irmão de Ishaan), Tanay Chheda (Rajan Damodran), M.K. Raina (Diretor), Lalita Lajmi (Ela mesma, a juíza da competição de pintura).

Sinopse: Ishaan é um garoto de nove anos que não possui muitos amigos. Vive com sua família em uma pequena comunidade da Índia. Ishaan apresenta muitas dificuldades na escola, tendo sido reprovado no ano anterior e tendo risco de ser reprovado novamente. Já seu irmão é o melhor da classe, com notas altíssimas e um grande sucesso nos esportes também. Após uma reunião com os professores de Ishaan, que informam aos pais que o menino não apresenta avanços na escola, o pai decide enviar o garoto a um colégio interno para que seja disciplinado e consiga êxito nos estudos. Após um período em que Ishaan se sente cada vez mais triste e solitário, sofrendo severas punições dos professores, entra um novo professor na escola, que talvez pode salvar Ishaan.

Vai Lendo!

Começarei a primeira crítica do novo Vai Assistindo com um gênero bem diferente do terror. Como Estrelas Na Terra é um belo filme indiano de drama que vi esses tempos e gostei muito! Os indianos sem dúvidas possuem ótimas produções, filmes divertidos e muito bonitos...

Aqui no Brasil o filme tem dois títulos: Como Estrelas na Terra e Somos Todos Diferentes, porém o Como Estrelas na Terra é a tradução correta do título original do filme e também se encaixa perfeitamente com a história do mesmo. Mas afinal, qual é o tema principal desse filme?

Por cima, pode-se dizer que é sobre um distúrbio de aprendizagem bem conhecido. Mas Como Estrelas na Terra envolve muito, muito mais do que isso.

Primeiro temos a questão da estrutura de ensino da maioria das escolas atuais. Aquela coisa: os alunos sentam em fileiras, ficam calados, enquanto o mestre lhes passa todo o conhecimento. Tem que tirar notas boas, tem que estudar do jeito que os adultos falam. Aluno não tem voz, aluno só tem que estar ali para aprender e o professor para ensinar. Mesmo que as aulas sejam maçantes e o aluno não consiga se concentrar, isso é problema dele, que ele se resolva. Tem que acompanhar o ritmo e ponto final.

Em muitos países, em especial os mais desenvolvidos, esse modelo está sendo quebrado (ainda bem!) e dando espaço para um novo paradigma educacional: os professores não devem apenas passar o conhecimento e selecionar alunos, classificando os "alunos bons" e "alunos ruins". Professores devem aprender com os seus alunos e ajudá-los a desenvolver seus talentos e conhecimentos. O aprendiz não é um ser sem voz, sem a luz do conhecimento. Eles podem ensinar os colegas e professores, descobrir coisas novas, expandir seus conhecimentos e construir novos com a ajuda de todos. A escola não deveria ser um lugar maçante e opressor, muito menos o único meio da criança adquirir educação. Pais, alunos, professores e demais funcionários devem se unir para a construção de uma nova sociedade, sem esse excesso de baixarias e maldades que vemos por aí. Pois afinal, os jovens são o futuro da nossa humanidade.


No filme, Ishaan tem problemas de aprendizagem, mas os professores querem apenas entupi-lo de matérias, sem ver que ele não é apenas mais um aluno, ele é um ser humano, é único. Ishaan aprende do seu jeito, assim como cada um aprende de um jeito! Ele tem dificuldade com letras e números, mas é incrível com artes. Tem gente que manja pra caramba de matemática e se acha até por isso, mas escreve mal ou é péssimo em artes. Sabe, nos meus tempos de escola nunca entendi porque matemática tinha que ser mais importante que artes. 

Como Estrelas na Terra explica isso: porque o que importa é o tempo e o dinheiro. Ou melhor: como você usa seu tempo para ganhar dinheiro. Um artista custa a ganhar dinheiro e muitas vezes não ganha muito assim. Um engenheiro, um médico ou um empresário costuma ganhar muito. Qual compensa mais? Fazer o que gosta, nem pensar. Tem que fazer o que dá dinheiro! Aposto que algum familiar já lhe falou isso, principalmente quando você foi escolher um curso na faculdade. "Filho(a), trata de fazer o que dá dinheiro! Seja esperto!" (tenho nojo desse "seja esperto", geralmente dito por pessoas que são espertas, mas nunca foram inteligentes). Se você resolver fazer engenharia, direito, medicina ou administração, você será o orgulho da família. Vai tentar fazer o resto para você ver! Nem começou a faculdade e já será tratado como o falido da família.

Imagina quantos talentos são perdidos nessa lógica sem lógica? Por que Ishaan tem que ser bom em contas e virar um empresário como seu pai, se pode ser um grande pintor? Por que não dá dinheiro rápido? Por que não é uma profissão que representa um certo status social? Realmente, nesse ponto também vemos como nossa educação foi e ainda é muito falha.

Felizmente, surge na história do filme um professor incrível, que consegue perceber tudo isso e trata cada aluno como único! Ram Shankar (interpretado pelo próprio diretor do filme) vê que o que falta nos alunos é incentivo e reconhecimento. E isso falta também para Ishaan. A partir daí, o filme fica mais lindo e nos arrepia em diversas cenas. O professor lembra muito outro professor bem conhecido do cinema: John Keating (Robin Willians) do filme Sociedade dos Poetas Mortos (1989). Ambos transformam seus alunos apáticos em jovens cheios de interesses pelos estudos, ambos são criticados por colegas por darem aula de um jeito diferente e ambos dão importância para os talentos de cada estudante. 

Novo professor!

Todas essas questões são abordadas de maneira bela e emocionante. Como todo filme indiano que se preze, Como Estrelas na Terra tem muitas músicas e uma cena de dança bem animada. As músicas expressam exatamente o que está ocorrendo no momento, é simplesmente lindo! Quando Ishaan está triste, a música cai como uma luva para nos emocionar e nos envolver mais ainda com o drama do personagem.

Voltando para o tema base do filme, este também foi mostrado de forma convincente e bem explicativa. Sentimos ao menos um pouco como é ter as dificuldades do Ishaan. Nos desesperamos com ele e sentimos raiva. O mais triste é saber que há muitas crianças na mesma situação do garotinho. São chamadas constantemente de burras, preguiçosas e inúteis, quando na verdade apenas não aprendem como as outras crianças. Uma pena saber que para muitas não surgirá alguém como o professor... É uma questão delicada e muito importante e que foi mostrada da melhor maneira no filme. Não há como não se colocar no lugar do Ishaan, pelo menos um pouco. 

Ishaan, mãe e irmão.

Nada disso funcionaria tão bem se a direção não fosse tão boa e sensível e os atores não fossem excelentes. O filme tem quase 3 horas, mas nem percebemos. E olha que é drama! É tão divertido, interessante e emocionante, que esquecemos que o tempo está passando. Nos mostrando que parar nossas vidas para apreciar uma obra de arte não é ruim não. Pelo contrário: aprendemos muito! Os atores dão um show, em especial Ishaan e seu professor. Atores incríveis!

o/

Está querendo ver um filme de drama diferente, bonito e que te deixará pensando em muitas questões da vida? Assista Como Estrelas na Terra! É um filme que nos faz perceber o quanto nosso sistema de educação está atrasado, como deixamos de dar importância para as coisas realmente belas e principalmente: nos mostra que cada um é diferente. Sim, nascemos diferentes, somos únicos durante toda a infância. Mas a sociedade nos modela em forminhas idênticas. Aí na adolescência passamos a agir como os outros e perdemos e muito nossa autenticidade. Cada um deveria ser único, pois nascemos assim. Não ache que as crianças são todas iguais, cada uma é diferente e suas peculiaridades deveriam ser valorizadas em vez de reprimidas. 

Nota (0-10): 10

VÍDEOS 
(Como não encontrei um trailer legendado, ou sequer um trailer, coloquei duas sequências do filme)

Muitos se identificam. Todos choram...

Não é estranho de notar como pessoas que vão contra essa ordem do mundo em geral são tristes, deprimidas, oprimidas, "esquisitas"... O filme mostra bem que se não se encaixar no padrão, é burro, é preguiçoso, é inútil! Triste.